relações públicas e o mercado de trabalho em produção cultural

Por Manoel Marcondes Machado Neto. Especial para o RPManaus

O Brasil tem uma cultura marcante. E uma produção artística pujante. Mas falhamos na memória, falhamos na gestão, falhamos no marketing dessa cultura – da formação de preço à logística de distribuição. Ainda consideramos, no senso comum, no meio empresarial, e nas esferas do Estado, a arte como algo supérfluo. O bacharelado em RP, em minha opinião, ainda é o que melhor prepara produtores culturais. As disciplinas do curso conjugam saberes que estão espalhados por diversas outras formações. Temos pesquisa de opinião e de mercado, planejamento e, produção de eventos, estudo de públicos e de instrumentos de mídia. Temos assessoria, mercadologia, produção audiovisual e gráfica. E em alguns casos temos até matérias eletivas como Estatística, Cibercultura, Gestão de Projetos, História da Arte e Estética. A área de marketing cultural está consolidada. Pode até ganhar outros apelidos, tais como indústria criativa, economia criativa, mas a conjunção do saber mercadológico com o fazer artístico-cultural veio para ficar. As orquestras alemãs, as companhias de teatro inglesas, o cinema americano, a ópera e a moda italianas, ou mesmo o turismo espanhol e a culinária francesa demonstram que se não há visão de marketing, perde-se em negócios, renda e empregos. O errepê é, em essência, um divulgador. Como tal, precisa estudar muito, e em profundidade, o seu cliente. Afinal, vai representá-lo. Escolhi a área artístico-cultural ainda na faculdade. E o meu primeiro estágio foi justamente no Departamento Cultural da minha Universidade, a UERJ. Ali tive contato com artistas e confirmei que esta era a clientela que eu queria atender com minhas habilidades e competências de RP. E fui empreender arte e cultura. Comecei com artes plásticas (para isso tive que conhecer galeristas, críticos e “marchands”), música instrumental (comecei produzindo espetáculos de amigos), teatro infantil e poesia. Cheguei a teatro adulto, festivais de dança, produção de orquestra, discos, livros e eventos. Muito tempo depois, minha tese de doutoramento foi um mergulho acadêmicocientífico neste setor, no qual antes eu adquirira experiência prática, administrando a minha própria produtora cultural por dez anos – a “República Produções”. Depois de defendida, minha tese(*) foi objeto de interesse de uma editora, para virar livro “Marketing Cultural: das práticas à teoria”, mas muita informação contida na pesquisa não cabia neste formato, tais como apêndices coletados em cinco anos de acompanhamento do Festival Internacional de Teatro de Londrina (FILO) e o “clipping” – que, naquele momento, ía de 1990 a 2000, por exemplo. Veio, então, a ideia de criar o portal ‘‘Marketing & Cultura: comunhão de bens’’ (www.marketing-e-cultura.com.br). A provocação do título é para aqueles que não acreditam que essas duas áreas tão diferentes possam ajudar-se, mutuamente. O “clipping” nunca mais parou – atualizo-o até hoje. Depois surgiu, em 2009, a oportunidade para um programa semanal de rádio (“Marketing & Cultura”, na WebRádio UERJ OnLine), o qual produzo e apresento até hoje. Acho que a invenção brasileira chamada Marketing Cultural é um outro nome que se deu a atividades de Relações Públicas bastante consagradas no âmbito da comunicação institucional – aspecto original de minha tese, aliás, sob orientação de Margarida Kunsch, na USP. Acredito que atuar em Cultura é uma vertente de trabalho ainda muito rica a ser explorada pelos profissionais de RP. Em 2011 publiquei, com Lusia Angelete Ferreira, o livro “Economia da Cultura: contribuições para a construção do campo e histórico da gestão de organizações culturais no Brasil” e, atualmente, estou cursando o pós-doutorado da UFF em multiculturalidades. Dicas para um profissional que deseja trabalhar na área de marketing cultural: procurar estudar muito – como autodidata ou por meio de cursos – e fazer um estágio numa produtora de arte, de vídeo, de música, de shows, de exposições, de dança etc. para conhecer bem o mercado, suas práticas e suas tendências. (*) Marketing cultural: características, modalidades e seu uso como política de comunicação institucional. Tese de doutoramento. ECA/USP. 2000. 529 p.

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