6 coisas que aprendi com Black Mirror

Por Mariana Filizola

Status, política, relacionamentos, guerra e amor. O que esses elementos tem em comum? Todos servem de plano de fundo para os episódios de Black Mirror, a série “tecnologifobica” que tem deixado muita gente olhando pro teto e repensando a vida. O motivo? Nas palavras de Charlie Brooker, criador da série:“Se a tecnologia é uma droga – e parece mesmo ser uma – então quais são precisamente os efeitos colaterais?”.

Numa mistura de ficção cientifica e terror, Black Mirror levanta questões humanas universais em um futuro assustadoramente possível. Cada um dos episódios é antológico, ou seja, traz uma narrativa, um cenário (e uma bad) completamente diferente. Depois de assistir às três temporadas, fiz uma lista de algumas das muitas coisas que aprendi – ou que ainda estou processando aqui, olhando pra tela do computador:

  1. As pessoas usam máscaras na vida real – a internet só as potencializa

No trabalho, em casa, no bar com os amigos: utilizamos várias máscaras, vários “eu” durante o dia. Na internet não é diferente. Geralmente criamos uma versão melhorada de nós mesmos (mais feliz, mais magra, mais politizada…). Em um episódio da série, essas informações são usadas para criar um clone de um dos personagens – tudo o que ele disse, filmou e postou nas redes sociais forma a personalidade desse gêmeo virtual. Mas será que o “eu” que mostramos na internet é nosso “eu” na vida real?

  1. Lembrar de tudo é uma tortura

Poder rever os melhores dias da nossa vida é um sonho. Mas estar condenado a rever também os piores pode ser um martírio sem fim. A “memória granular” de um dos episódios traz essa reflexão – e as terríveis conseqüências de poder sempre rever as suas memórias e as dos outros.

  1. O apego é ruim – mas bloquear pode ser pior ainda

Quem nunca stalkeou alguém que não está mais tão próximo, que atire a primeira pedra. Saber o que o outro faz, se está feliz, viajando, namorando – tudo graças às redes sociais. Nosso apego é potencializado por uma presença da qual é quase impossível fugir: a virtual. “Quase” porque, apesar de estar online ser uma extensão da nossa presença física, ainda existe uma chance de se ausentar da vida do outro – bloqueando. Mas será que impedir qualquer possibilidade de futuro é de fato algo saudável para os dois lados? Se você acha que sim, o especial de natal da segunda temporada pode te deixar numa bad bem intensa…

  1. A consciência é nossa fraqueza e também nossa maior força

Muito mais do que nossas relações, a tecnologia reconfigura nossas escolhas. É melhor viver consciente dos erros que cometeu ou apagar a memória de tudo o que é real? Toda a tecnologia do mundo não consegue nos livrar da responsabilidade de tomar atitudes em relação à nossa própria vida – e até nossa morte. Estar consciente disso é o que nos diferencia dos robôs e nutre nossa empatia, mas seria também o que nos impede de evoluir?

  1. O preço pela popularidade pode ser a sua própria felicidade

Pertencer é uma necessidade de todos nós, mas quando isso afeta a busca por status 24 horas por dia, a felicidade genuína fica cada vez mais distante. No primeiro episódio da terceira temporada, a busca por pertencimento toma proporções sociais: cada um recebe uma avaliação pela sua popularidade, que pode ser responsável por dar acesso vip a certos lugares mas também proibir a entrada no trabalho –afinal, que empresa quer ter um funcionário para quem socializar não é importante? Em um dos cenários mais futuristas da série, a temática não poderia ser mais próxima da atualidade: a busca por aceitação disfarçada de curtidas que vemos todos os dias permeando as redes sociais.

  1. A tecnologia já é parte de nós – e nós dela

Não precisamos ir tão longe para perceber isso, afinal, há poucos anos quem imaginaria poder assistir a uma série pelo computador e no horário em que quisesse? Coisas banais para nós hoje como baixar músicas, falar por uma chamada em vídeo ou usar a digital para desbloquear a tela do celular são tão comuns na nossa rotina que não percebemos o quanto a tecnologia já é parte de nós. Em Black Mirror, a tecnologia assume a forma de microchips, realidade aumentada e interações virtuais em tempo real capazes de mudar a vida de alguém. Tudo isso são tecnologias que, em maior ou menor escala, já existem hoje. O que talvez signifique que longe de estar numa série, o futuro já esteja aqui. E aí os efeitos colaterais da tecnologia na nossa vida estão só começando a aparecer…

Por: Mariana Filizola, recém formada em Relações Públicas pela (Universidade Federal do Amazoans) UFAM, já realizou pesquisas sobre comunicação, cultura da convergência e realidade aumentada. É fã de pessoas e mais ainda de contar as histórias delas.

Bate-papo

Com entusiasmo e um pouco de euforia o RPManaus aceitou a dica da nossa querida Mariana Filizola em organizar um bate-papo descontraído e reflexivo onde teremos vários profissionais dividindo o mesmo espaço na discussão dessa série. Convidamos o Luiz Jr sócio da agência digital Fermen.to e profissional de tecnologia, o publicitário Adriano Marques, o psicólogo Norcirio Queiroz, a relações-públicas Mariana Filizola e para mediar o debate Ana Clarissa, relações-públicas e especialista em informática aplicada à educação pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). 

Será no dia 09/11/2016, às 19:20h, entrada franca, Vila Hub (conjunto morada do sol, avenida do sol, quadra B, casa 2- Aleixo).

Inscrições: http://bit.ly/2fj7POE

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