Redatores: O trágico declínio da era digital

(Este texto expressa uma opinião pessoal, qualquer pessoa é livre para discordar e deixar seus pontos de vista sobre o tema).

Por: Ricardo Faga

Como estamos prestes a entrar em mais um evento bem bacana sobre a relação do trabalho dos profissionais de comunicação (o Mercado da Comunicação em Chamas, feito pelo RP Manaus), vou deixar a polêmica do mês aqui haha. Nos últimos anos, o crescimento acelerado e sem planejamento correto das redes sociais nos meio de comunicação afetou negativamente uma classe de trabalhadores essenciais para a publicidade, o jornalismo e as relações públicas: os redatores. Vou dar alguns exemplos do que acontece.

Quando as empresas começaram a direcionar suas forças para o meio digital, tudo era mais simples, se gastava muito pouco para garantir que a mensagem chegasse aos seus públicos.

Como não existia a profissão de social media nos primórdios das redes, geralmente os profissionais de redação eram os mais qualificados para alimentar blogs e gerar conteúdo.

Porém, tanto para os clientes como para as agências, sempre ficou esse clima de “não precisamos gastar muito dinheiro para colocar nosso conteúdo no Facebook”, o que geralmente acarreta em salários desvalorizados e uma completa falta de certeza em um futuro de carreira na área (fala a verdade, me diz com sinceridade se você se imagina se aposentando nessa profissão. Sem falar na quantidade de empresas que sequer cogitam aumentar seu salário ou até mesmo assinar a sua carteira [o que deveria ser o básico, né?]).

A grande verdade é que dá pra contar nos dedos de uma mão só quais são as empresas com foco no digital que não vão transformar a vida de quem trabalha com redes sociais em um inferno. Se você estivesse escrevendo aquele release pro jornal ou bolando aquele roteiro delícia para os spots da próxima semana do cliente, com certeza você não estaria recebendo mensagens horríveis no grupo do Whatsapp às 15h da tarde de um domingo porque alguém resolveu reclamar do cliente no Instagram dele. Tenho certeza absoluta que você não perdeu todo seu tempo em cursos de redação e quatro anos de faculdade pra ouvir todo o tempo “o cliente pediu pra você responder fulano”, “apaga esse post, agora!” ou o famoso “o que você está fazendo é bom, mas podemos melhorar ainda mais” (como se o “podemos” não fosse algo que você vai fazer sozinho, de qualquer forma).

O ponto onde eu quero chegar é: trabalhar com redes sociais não é uma merda, mas a maneira que o mercado conduz com certeza é. Tenho segurança em afirmar que você que acabou de sair da faculdade de jornalismo adoraria cobrir uma matéria importante ou escrever para uma coluna sobre algum assunto que você se especializou do que alimentar aquele blog chato que é 110% curadoria que ninguém lê de verdade. Ou você, RP, que sempre quis trabalhar com gerenciamento de crises ou investir seu tempo em projetos que realmente melhoram a vida de outros RP, mas está sem tempo de levar seus projetos adiante porque se você não fizer essa postagem “urgente” sobre o Dia Interamericano de Blábláblá o seu cliente vai reclamar. Não pense que eu esqueci de você não, redator publicitário, que queria fazer um portfólio bacana, cheio de roteiros e anúncios bonitos, mas virou replicador de conteúdo daquele cliente chato, que não quer saber das suas ideias e só precisa de você pra colocar aqueles posts sobre “1001 dicas de como Blábláblá” no ar.

A sensação que fica é a de que pegaram profissionais de diversas áreas diferentes, com competências totalmente diferentes e jogaram todos no mesmo balaio (até parece que você não se incomoda com aquela “Vaga para redação online: procuramos profissionais formados em Jornalismo, Letras, Publicidade, Relações Públicas ou Marketing. Pacote Adobe é diferencial.”). Chegamos em uma época em que já convivemos com o mundo digital há uns bons anos, mas mesmo assim essa situação não se regularizou, não existe uma classe 100% voltada para esse meio saindo das faculdades e muitas das pessoas que sentiram na pele a falta de organização no começo ainda sentem dificuldades para sair da área e conquistar os empregos que procuravam para suas carreiras.

Na minha opinião, é imprescindível que o mercado valorize de verdade os profissionais que trabalham com redação nos meios digitais e dê mais abertura para demarcar onde cada um deles se encaixam, senão vai chegar o dia em que ninguém vai querer mais trabalhar com isso.

É o que eu digo pra todo mundo que vive essa situação e não aguenta mais: procure dar valor para os seus projetos paralelos e vá atrás de algum lugar que te valorize, você não vai querer passar nervoso pro resto da vida.

Ricardo Faga, formado pelo Mackenziee já trabalhou com clientes como Natura, Johnson & Johnson, GJP Hotels & Resorts, Scania, Budweiser, entre outros.

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