The Handmaid’s Tale: A Previsão do Amanhã

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Por Rayanne Azevedo, acadêmica de Jornalismo e produtora de conteúdo da RPManaus

Você já viu a série do streaming Hulu, “The Handmaid’s Tale”? Bom, caso não tenha fique atento para o pequeno resumo (sem spoilers) sobre o que o seu polêmico enredo trata e os motivos pelo qual a série foi vencedora em várias premiações este ano.

“The Handmaid’s Tale”, ou “O conto da Aia”, foi escrito pela canadense Margaret Atwood em 1985 e fala sobre uma história de distopia. Sabendo disso aí você pode pensar em coisas como Jogos Vorazes, Divergente ou Maze Runner. Mas as Aias deste conto estão além do tipo que estamos acostumados, trazendo um fundamentalismo bíblico: o Estado torna-se teocrático e totalitário.

Mas por que o Estado ficou assim?

A história conta que, com o passar dos anos, as mulheres da espécie humana acabaram ficando, em sua maioria, estéreis. Nessa realidade, poucas conseguem ter filhos, caminhando pelo lado oposto à citação bíblica “crescei e multiplicai-vos” (Atualmente, a maioria dos assuntos que geram polêmica trazem pelo menos uma citação da bíblia, seja para defender ou problematizar).

A problemática, então, é a possível extinção da raça humana e pessoas que mascaram um sistema inteiro diante da religião cristã, utilizando como desculpa a salvação humana. As poucas mulheres férteis são obrigadas a virarem “aias”, uma espécie de barriga de aluguel de famílias poderosas.


 

Para Saber: Na bíblia, Bila é serva de Raquel. Contudo Raquel não consegue dar um filho a Jacó e se sente menos mulher por isso. Em um ato de amor e querer perpetuar a espécie Raquel oferece sua serva Bila para deitar-se com seu marido. É dessa passagem que as Aias são inseridas na história


Além de sofrerem estupros, as Aias são marcadas como gados, vestem roupas vermelhas e perdem seus verdadeiros nomes, sendo chamadas de Off + o sobrenome da casa que elas irão servir.

A série num futuro não tão distante

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as “Aias”

O mais assustador é que, mesmo escrito há mais de 30 anos o conto caiu como uma luva na série produzida. O enredo é cheio de referências atuais, como ao app Tinder, aos aparelhos eletrônicos modernos e histórias que jovens adultos contemporâneos passam, levando muitos telespectadores a se reconhecerem naquilo que vêem, o que gera empatia pelos personagens, principalmente pela personagem principal, Offred.

A cada flashback que Offred passa, os espectadores sentem mais vergonha, raiva e revolta diante de tudo. Ela tem um passado do qual não consegue se desvencilhar: era uma mulher forte, independente e feliz, mas foi obrigada a largar toda a sua vida para viver em regime fechado, como se precisasse esquecer o passado e aceitar o seu posto de Bila diante àquela sociedade.

O papel da mulher e a (falta de) Comunicação nesse novo mundo

As mulheres dominam a série, isso é um fato. Contudo, dentro da história todas são submissas, sejam Aias ou esposas de homens do alto escalão. As mulheres em The Handmaid’s Tale vivem acuadas, são proibidas de lerem ou até mesmo serem mais poderosas e terem voz acima dos homens, o que indica a estabilidade da opressão.

Marilia Grandi, uma das telespectadoras da série contou sobre o que sentiu enquanto assistia a série. “Infelizmente aquele universo não tá muito distante da nossa realidade. A mulher tanto na série quanto aqui é vista, mesmo que indiretamente, como um objeto a ser demonizado, cobiçado, analisado e modificado de acordo com a vontade de todos, menos dela própria”, disse.

Nós comunicadores sabemos que o mundo gira em torno da troca de informações. Independente de sermos Relações-Públicas, jornalistas ou publicitários, temos a total consciência que, uma vez a comunicação sendo interrompida o ruído está instalado e isso pode tornar-se um caos.

Apesar da resistência, podemos associar a série com a Teoria Hipodérmica, pois após o regime totalitário ser instaurado na série as pessoas tornaram-se passíveis a qualquer lei ou método que os poderosos teocráticos impõem.

The Handmaid’s Tale é muito mais que ficção, é praticamente um alerta para que a sociedade resista a qualquer ameaça. Recebendo várias indicações no Emmy 2017 e vencedora de categorias ilustres como melhor série dramática, melhor atriz dramática e coadjuvante, a série age como um “dedo na ferida” de alguns indivíduos do século XXI.

Para quem ficou com vontade de assistir, dá uma olhada nesse trailer legendado.

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